Próstata aumentada: melhor tratamento | Dr. Thiago Mourão

Qual o melhor tratamento para próstata aumentada?

Resposta direta: Não existe um tratamento melhor para todos. A escolha depende principalmente do tamanho da próstata, da intensidade dos sintomas e da prioridade do paciente. Próstatas pequenas com sintomas leves respondem a medicamentos; próstatas de 30 a 80 gramas admitem Rezum, RTU ou HoLEP; e acima de 80 gramas o HoLEP é a opção com melhor durabilidade, sem limite de tamanho.

A hiperplasia prostática benigna atinge cerca de metade dos homens aos 60 anos e mais de 80% aos 80. Levantar duas ou três vezes por noite, demorar para iniciar o jato, sentir que a bexiga não esvaziou — nada disso é “coisa da idade” a ser suportada. É uma condição com várias soluções eficazes, e a dificuldade real do paciente não é encontrar tratamento: é escolher entre eles.

Este guia organiza a decisão. Como proctor de HoLEP — cirurgião que forma outros cirurgiões na técnica — e também cirurgião robótico nossa conversa aqui é comparativa.
Dr. Thiago Mourão, CRM-SP 152.747, RQE 65.767, doutor em oncologia.

As quatro perguntas que definem a escolha

Antes das técnicas, o essencial. Toda decisão bem tomada em HPB responde a quatro perguntas:

1. Qual o tamanho da próstata? Medido por ultrassom ou ressonância, em gramas ou centímetros cúbicos. É o fator que mais restringe as opções.
2. Quão intensos são os sintomas? O escore IPSS classifica de leve (0–7) a grave (20–35). Sintomas leves raramente justificam cirurgia.
3. Há complicação instalada? Retenção urinária, infecções de repetição, cálculo vesical, sangramento ou comprometimento renal mudam a conduta de “podemos esperar” para “precisa resolver”.
4. O que o paciente prioriza? Preservar a ejaculação anterógrada, evitar cirurgia, ou obter o resultado mais duradouro possível — são objetivos que apontam para técnicas diferentes.

Comparativo das opções por tamanho da próstata

Volume prostáticoOpções mais indicadasObservação
Até 30 gMedicamentos; prostatotomia (incisão na próstata); Rezum; UroLiftSintomas leves a moderados frequentemente podem ser controlados sem cirurgia
30 a 80 gRezum; RTU de próstata; HoLEP; GreenLight; UroLiftFaixa em que diversas técnicas podem ser utilizadas; as prioridades do paciente têm grande importância na escolha
80 a 150 gHoLEP (preferencial); prostatectomia simples por via aberta, laparoscópica ou robóticaA RTU perde eficiência e apresenta maior risco em próstatas acima de 80 g
Acima de 150 gHoLEP; prostatectomia simples robóticaO HoLEP não apresenta limite definido de tamanho; a prostatectomia aberta tornou-se uma opção de exceção

Tratamento medicamentoso

Os alfabloqueadores (tansulosina, silodosina, alfuzosina) relaxam a musculatura do colo vesical e melhoram o fluxo em poucos dias. Reduzem o IPSS em torno de 4 a 6 pontos. Não diminuem a próstata. O efeito adverso mais relatado é a redução ou ausência do volume ejaculado, especialmente com tansulosina e silodosina. Podem também causar tontura ou queda de pressão em alguns pacientes, sendo menos frequente com a silodosina, que é mais específica para a região da próstata e colo da bexiga.

Os inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida) reduzem o volume da glândula em cerca de 20% a 25% ao longo de seis a doze meses e diminuem o risco de retenção urinária e de cirurgia futura. Funcionam melhor em próstatas acima de 40 gramas. Podem causar redução da libido e disfunção erétil em uma minoria dos pacientes, e reduzem o PSA pela metade — informação que precisa constar do prontuário para não mascarar a interpretação futura do exame.

Medicamento é excelente ponto de partida. Torna-se insuficiente quando os sintomas persistem apesar de terapia otimizada, quando os efeitos colaterais incomodam mais que a doença, ou quando surge complicação.

Rezum e Urolift: as opções minimamente invasivas

O Rezum injeta vapor de água no tecido prostático, provocando sua reabsorção gradual. É ambulatorial, feito sob sedação, e preserva a ejaculação anterógrada na maior parte dos casos — seu grande atrativo. Indicado para próstatas de aproximadamente 30 a 80 cm³. O resultado leva de dois a três meses para se estabelecer e a taxa de retratamento é maior que a das técnicas cirúrgicas, na faixa de 10% a 15% em cinco anos.

O Urolift implanta pequenos grampos que afastam os lobos prostáticos, sem remover tecido. Também preserva ejaculação e tem recuperação rápida, mas não se aplica bem quando existe lobo mediano proeminente e apresenta taxa de retratamento mais alta ao longo do tempo.

São boas escolhas para o paciente com próstata de tamanho intermediário que valoriza acima de tudo a preservação da ejaculação e aceita menor durabilidade.

RTU de próstata: o padrão histórico

A ressecção transuretral remove o tecido obstrutivo em fragmentos, com alça elétrica. Foi por décadas o padrão de referência para próstatas de 30 a 80 gramas e continua sendo procedimento eficaz nessa faixa.

Suas limitações aparecem no tamanho: acima de 80 gramas, o tempo cirúrgico se alonga, o sangramento aumenta e a ressecção tende a ficar incompleta — o que explica a taxa de retratamento em torno de 6% a 8% em cinco a dez anos. A ejaculação retrógrada ocorre na maioria dos operados.

HoLEP: enucleação com laser de holmium

O HoLEP usa o laser de holmium para enuclear o adenoma — separá-lo da cápsula prostática pelo mesmo plano anatômico que o cirurgião usaria numa cirurgia aberta, mas por via endoscópica, sem corte. O tecido é então triturado e aspirado.

A diferença conceitual importa: enquanto a RTU raspa tecido por dentro, o HoLEP remove o adenoma inteiro. Daí vêm suas três vantagens principais:

Sem limite de tamanho. Funciona igualmente bem em próstatas de 60 ou de 200 gramas, e é a técnica endoscópica recomendada pelas diretrizes europeias como alternativa à cirurgia aberta em glândulas volumosas.
Durabilidade superior. A taxa de retratamento fica em torno de 1% a 2% em dez anos, a menor entre todas as opções.
Sangramento mínimo. O laser coagula enquanto corta, o que permite operar com segurança pacientes em uso de anticoagulantes ou antiagregantes — grupo que frequentemente é recusado para RTU.

A sonda vesical costuma ser retirada em cerca de 24 horas e a internação é curta. Os pontos a discutir com franqueza são a ejaculação retrógrada, presente na maioria dos operados, e a possibilidade de urgência ou perda urinária transitória nas primeiras semanas, que se resolve na grande maioria dos casos com fisioterapia do assoalho pélvico. Detalhamos isso em efeitos colaterais do HoLEP.

O HoLEP é uma cirurgia tecnicamente exigente, com curva de aprendizado longa — motivo pelo qual a experiência do cirurgião pesa mais aqui do que na maioria dos procedimentos urológicos.

Comparativo direto

CritérioMedicamentoRezumRTUHoLEP
Limite de tamanho30 a 80 cm³Até aproximadamente 80 gSem limite
Tempo até o resultadoDias a meses2 a 3 mesesImediatoImediato
Necessidade de retratamentoUso contínuoAproximadamente 4–5% em 5 anosAproximadamente 6–8% em 5–10 anosAproximadamente 1–2% em 10 anos
Preservação da ejaculaçãoParcialNa maioria dos casosPouco frequentePouco frequente
Uso de anticoagulanteCompatívelNecessita avaliação individualPode ser limitanteCompatível
InternaçãoNão necessitaProcedimento ambulatorial1 a 2 diasAproximadamente 1 dia

Como eu conduzo essa decisão no consultório

A conversa começa pelo que o paciente quer resolver, não pela tecnologia. Um homem de 58 anos com próstata de 45 gramas, sintomas moderados e vida sexual ativa que teme perder a ejaculação tem um caminho. Um homem de 72 anos com próstata de 140 gramas, duas retenções urinárias no último ano e uso de anticoagulante tem outro — e, nesse segundo caso, insistir em medicamento é adiar o inevitável com risco renal.

O exame que mais organiza essa escolha é simples e frequentemente esquecido: medir a próstata. Sem o volume, a discussão sobre técnicas é abstrata.

Perguntas frequentes

Qual o melhor tratamento para próstata aumentada?
Depende do tamanho da glândula, dos sintomas e das prioridades do paciente. Próstatas pequenas com sintomas leves respondem a medicamentos; de 30 a 80 gramas competem Rezum, RTU e HoLEP; acima de 80 gramas o HoLEP oferece a melhor durabilidade, sem limite de tamanho.

Próstata de 100 gramas precisa de cirurgia?
Não obrigatoriamente — o que indica cirurgia são os sintomas e as complicações, não o número isolado. Mas próstatas desse porte costumam causar obstrução significativa, e nelas o HoLEP é a técnica de escolha, já que a RTU perde eficácia acima de 80 gramas.

HoLEP ou Rezum: qual é melhor?
São indicações diferentes. O Rezum é minimamente invasivo, preserva ejaculação e serve a próstatas de até cerca de 80 cm³, com retratamento maior. O HoLEP é cirúrgico, atende qualquer tamanho e tem a menor taxa de retratamento a longo prazo. Quem prioriza preservar a ejaculação tende ao Rezum; quem prioriza resultado definitivo, ao HoLEP.

A próstata volta a crescer depois da cirurgia?
Após o HoLEP, o adenoma é removido por completo e a recidiva é rara, com retratamento em torno de 1% a 2% em dez anos. Após RTU, resta tecido que pode voltar a crescer, e após Rezum ou Urolift a chance de necessitar novo procedimento é maior.

Posso operar a próstata usando anticoagulante?
Em muitos casos, sim. O HoLEP é a técnica com melhor perfil de segurança nesse cenário, porque o laser coagula enquanto corta. A decisão sobre suspender ou manter a medicação é sempre tomada em conjunto com o cardiologista.

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Escolher entre remédio, Rezum, RTU e HoLEP fica muito mais simples quando existem três informações na mesa: o volume da sua próstata, o seu escore de sintomas e o que você não está disposto a abrir mão.

 

 

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