“Vou ficar impotente?” é a pergunta que mais escuto no consultório quando falo em operar a próstata — e é também a que mais faz homens adiarem uma cirurgia de que precisam. Boa parte do medo vem de confusão entre dois efeitos completamente diferentes: a ereção e a ejaculação. Vou separar um do outro.
A confusão que precisa acabar: ereção não é ejaculação
São funções distintas, controladas por mecanismos distintos. Uma cirurgia pode afetar uma sem tocar na outra — e é exatamente isso que acontece no HoLEP.
- Ereção — depende dos nervos cavernosos, que correm por fora da próstata. O HoLEP não os manipula. É preservada.
- Ejaculação — depende do colo vesical, que é aberto durante a cirurgia. Muda de direção.
Quem diz “a raspagem da próstata deixa impotente” está descrevendo, quase sempre, a ejaculação retrógrada — e chamando de impotência algo que não é.
Ejaculação retrógrada: o efeito mais comum
Ocorre em cerca de 74% dos pacientes após o HoLEP. Na prática: no momento do orgasmo, o esperma vai para a bexiga em vez de sair pela uretra. É eliminado depois, na urina, sem qualquer risco à saúde.
O que isso muda, e o que não muda:
- Não afeta a ereção.
- Não afeta o orgasmo — a sensação de prazer permanece.
- Não afeta o desejo sexual.
- Reduz ou elimina o volume de esperma visível — é a mudança que o paciente percebe.
- Compromete a fertilidade por via natural — relevante apenas para quem ainda pretende ter filhos.
Vale dizer: a taxa após a RTU é de aproximadamente 66% — praticamente a mesma. Trocar de técnica não evita esse efeito, porque ele decorre da própria abertura do colo vesical, comum às duas cirurgias.
Função erétil: o que dizem os estudos
Os estudos não mostram queda significativa nos escores de função erétil após o HoLEP. Os nervos responsáveis pela ereção não são tocados durante a enucleação — o trabalho acontece no plano entre o adenoma e a cápsula prostática, por dentro da glândula.
Uma ressalva honesta: um estudo retrospectivo observou que homens com função erétil excelente antes da cirurgia podem perceber alguma variação no período pós-operatório. Não é regra, e os resultados são comparáveis aos da RTU. Prefiro apresentar o dado do que omiti-lo.
Incontinência urinária: quase sempre transitória
Este é o efeito colateral que exige mais honestidade — e onde muito conteúdo na internet peca por otimismo.
Incontinência permanente é rara. Em um estudo nacional coreano com mais de 58 mil pacientes, apenas 0,31% precisaram de cirurgia para corrigir incontinência após o HoLEP.
Mas a perda urinária nas primeiras semanas é mais frequente após o HoLEP do que após a RTU. É consequência do edema local e da adaptação da bexiga a um novo padrão de esvaziamento — depois de anos empurrando urina contra uma obstrução, ela precisa reaprender a trabalhar sem ela.
Na grande maioria dos casos, resolve espontaneamente em semanas. Quando persiste, a fisioterapia pélvica costuma resolver. É o tipo de coisa que prefiro conversar antes da cirurgia, e não depois.
Efeitos colaterais menos frequentes
- Urina avermelhada nos primeiros dias — esperado, clareia progressivamente.
- Urgência miccional transitória — vontade súbita de urinar nas primeiras semanas, parte da readaptação vesical.
- Ardência ao urinar (disestesia) — relatada com alguma frequência no pós-operatório precoce.
- Sangramento com necessidade de reintervenção — menos de 2% dos casos.
- Estenose de uretra — estreitamento que pode surgir tardiamente e requer tratamento específico.
- Necessidade de transfusão — significativamente menor que na RTU, graças à capacidade de coagulação do laser de hólmio.
E os efeitos que o HoLEP evita
Nem toda comparação é desfavorável. Frente à RTU, o HoLEP apresenta menor risco de hiponatremia (a chamada “síndrome pós-RTU”), menor risco de estenose uretral, menor tempo de sonda e internação mais curta.
E há o efeito colateral que ninguém menciona: precisar operar de novo. A taxa de reoperação após o HoLEP é de aproximadamente 1,27% em cerca de quatro anos, contra 4,50% após a RTU. Uma segunda cirurgia traz consigo todos os riscos da primeira — evitá-la também é reduzir efeito colateral. Os detalhes técnicos do procedimento estão na página sobre HoLEP em São Paulo.
Como reduzir riscos
Dois fatores pesam mais que qualquer outro:
Experiência do cirurgião. O HoLEP tem curva de aprendizado longa. A técnica de enucleação, a preservação do esfíncter e o manejo do morcelador determinam diretamente as taxas de complicação. Como proctor de HoLEP, treino outros urologistas nesta técnica.
Conversa franca antes da cirurgia. Um paciente que sabe que terá ejaculação retrógrada não se assusta quando ela aparece. Um paciente que não foi avisado interpreta o efeito esperado como complicação — e passa meses angustiado à toa.
Converse antes de decidir
Se você está avaliando a cirurgia e tem dúvidas sobre os efeitos colaterais no seu caso, fale comigo pelo WhatsApp (11) 91722-0682. O atendimento é particular, realizado na Clínica MomentumVita, na região da Liberdade, em São Paulo. Os detalhes do pós-operatório estão em recuperação e resultados do HoLEP.
Ou acesse fale com seu médico para outras formas de contato.
Dúvidas
Perguntas sobre os efeitos colaterais
A raspagem da próstata deixa impotente? +
Não. Essa é a maior confusão que existe sobre cirurgia de próstata. Tanto no HoLEP quanto na RTU (a popular “raspagem”), a ereção é preservada — os nervos responsáveis por ela não são manipulados. O que muda é a ejaculação: o esperma passa a ir para a bexiga em vez de sair pela uretra. É a chamada ejaculação retrógrada. Não afeta a ereção nem o prazer, mas reduz a fertilidade por via natural.
O que é ejaculação retrógrada? +
No momento do orgasmo, o esperma vai para a bexiga em vez de sair pela uretra — e é eliminado depois, na urina, sem risco à saúde. Ocorre em cerca de 74% dos pacientes após o HoLEP e em aproximadamente 66% após a RTU. O paciente percebe redução ou ausência do volume de esperma visível, mas a ereção, o orgasmo e o desejo sexual permanecem intactos.
O HoLEP afeta o prazer sexual? +
Não. A sensação de orgasmo é preservada. O que muda é o volume de esperma expelido, pela ejaculação retrógrada. Ereção, orgasmo e desejo sexual não são afetados pelo procedimento.
Vou ficar incontinente depois do HoLEP? +
A incontinência permanente é rara: em um estudo com mais de 58 mil pacientes, apenas 0,31% precisaram de cirurgia para corrigir incontinência após o HoLEP. Nas primeiras semanas, porém, a perda urinária transitória é mais frequente do que após a RTU — resultado do edema local e da readaptação da bexiga. Resolve espontaneamente na grande maioria dos casos, e a fisioterapia pélvica ajuda quando persiste.
Ainda vou conseguir ter filhos depois do HoLEP? +
A ejaculação retrógrada compromete a fertilidade por via natural, já que o esperma não é expelido pela uretra. É um ponto que precisa ser discutido antes da cirurgia com quem ainda pretende ter filhos — existem alternativas a considerar, como o congelamento prévio de sêmen. Para a maioria dos pacientes que operam a próstata, porém, essa não é uma preocupação prática.
Quanto tempo duram os efeitos colaterais? +
Os efeitos transitórios — urina avermelhada, urgência miccional, ardência ao urinar e eventual perda urinária — costumam se resolver nas primeiras semanas. A melhora do jato urinário é perceptível desde os primeiros dias, mas o resultado definitivo é avaliado após 3 meses. Já a ejaculação retrógrada é permanente.
O HoLEP tem mais efeitos colaterais que a RTU? +
Depende do efeito. O HoLEP apresenta menor necessidade de transfusão, menor risco de hiponatremia, menor risco de estenose uretral, menor tempo de sonda e internação mais curta. Em contrapartida, a perda urinária transitória nas primeiras semanas é um pouco mais frequente. As taxas de ejaculação retrógrada e de preservação da ereção são semelhantes entre as duas técnicas.






