Sintomas de HPV no homem: como identificar, riscos e tratamentos

Um médico explica os sintomas de HPV no homem para paciente.

Quando se fala em HPV, muitos ainda acreditam que se trata de uma preocupação exclusiva das mulheres. Essa visão limitada não apenas é equivocada, como também perigosa. Sendo assim, os sintomas de HPV no homem também merecem atenção. Eles podem se manifestar visivelmente, mas também permanecerem silenciosos, sem sintomas.

Neste artigo, vou desmistificar a ideia de que o HPV é um problema feminino, detalhar os sintomas do HPV no homem, explicar como ocorre o diagnóstico, quais são os tratamentos disponíveis e por que a vacinação é uma ferramenta indispensável.

O que é o HPV?

O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus DNA da família Papillomaviridae, com mais de 200 genótipos identificados. Destes, cerca de 40 infectam a região anogenital. Alguns são considerados de baixo risco, responsáveis por verrugas benignas, enquanto outros são de alto risco oncogênico, associados ao desenvolvimento de câncer, dentre estes, o câncer de colo uterino, câncer de vulva, câncer anal, câncer de orofaringe e também câncer de pênis.

Nos homens, o HPV pode permanecer em estado latente, dificultando o diagnóstico precoce. Um estudo publicado na The Lancet Global Health mostra que quase um em cada três homens com mais de 15 anos está infectado com pelo menos um tipo de HPV genital.

Além disso, um em cada cinco apresenta infecção por tipos de HPV de alto risco ou oncogênicos, como o HPV-16 e HPV-18. Esses dados reforçam que a infecção não é restrita às mulheres e que os homens, mesmo assintomáticos, desempenham papel central na transmissão e na evolução das doenças relacionadas ao vírus.

Sintomas de HPV no homem: manifestações clínicas e subclínicas

Os sintomas de HPV no homem variam conforme o subtipo viral e a resposta imunológica individual. A seguir, explico quais são os sintomas mais comuns.

Verrugas genitais (condiloma acuminado)

As verrugas genitais são a forma mais conhecida de manifestação clínica do HPV. Popularmente chamadas de “crista de galo”, apresentam aspecto de pequenas lesões exofíticas (crescem para fora da pele), com superfície irregular e textura semelhante a uma couve-flor.

  • Localização: podem surgir no pênis (glande, corpo ou base), escroto, região perianal e até na uretra.
  • Características: podem ser únicas ou múltiplas, isoladas ou agrupadas em placas.
  • Impacto clínico: além do desconforto estético e psicológico, podem causar dor leve, sangramento durante a relação sexual e aumentar o risco de transmissão do vírus.

Quer aprofundar mais o seu conhecimento? Leia também “Verruga genital — como tratar?” 

Lesões subclínicas

Nem todas as infecções por HPV se manifestam com verrugas visíveis. Muitas vezes, o vírus provoca alterações microscópicas nas células da mucosa genital.

  • Detecção: essas lesões não são perceptíveis a olho nu e eventualmente podem requerem exames que utilizam ácido acético para ajudar a evidenciar áreas esbranquiçadas sugestivas de infecção.
  • Relevância médica: mesmo sem sintomas, essas lesões podem abrigar subtipos oncogênicos, como HPV-16 e HPV-18. No entanto, não existe recomendação formal do benefício em rastrear indivíduos sem lesões visíveis, uma vez que é incerto o benefício dessa ação, bem como os métodos utilizados não são totalmente padronizados.
  • Risco de transmissão: homens com lesões subclínicas continuam sendo potenciais transmissores, mesmo sem perceberem a infecção. No entanto, reforço mais uma vez que o rastreamento em homens sem lesões clínicas não é indicado na prática clínica atual.

Sintomas inespecíficos

Alguns homens podem apresentar sinais menos característicos, que dificultam o diagnóstico imediato.

  • Prurido (coceira): pode ocorrer na região genital ou perianal, associado à presença de lesões iniciais.
  • Ardência ou dor leve: sintomas ocasionais que podem surgir durante o ato sexual ou ao urinar.
  • Desconforto psicológico: a suspeita ou presença de lesões genitais frequentemente gera ansiedade, insegurança e impacto na vida sexual.

Infecções assintomáticas e riscos de evolução

Boa parte dos homens infectados apresenta quadro assintomático. Isso é preocupante porque:

  • O vírus pode persistir por anos, aumentando o risco de transmissão.
  • Subtipos oncogênicos (como HPV-16 e HPV-18) podem induzir alterações celulares que evoluem para neoplasias.
  • O câncer de pênis, embora raro, em alguns casos pode se associar ao HPV.
  • O câncer anal e de orofaringe também estão em crescimento, especialmente em populações de risco.

Essa realidade reforça a importância da vigilância clínica mesmo na ausência de sintomas.

Diagnóstico do HPV no homem: abordagem clínica e exames complementares

O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na inspeção das lesões. No entanto, em casos de dúvida ou suspeita de malignidade, podem ser utilizados:

  • Peniscopia: aplicação de ácido acético a 5%, que evidencia áreas esbranquiçadas sugestivas de lesões subclínicas.
  • Biópsia: indicada para lesões atípicas ou suspeitas de transformação maligna.
  • Exames laboratoriais: testes de biologia molecular (PCR) podem identificar o genótipo viral, embora não sejam rotina em todos os serviços.

O papel do urologista é central, pois a avaliação clínica experiente permite diferenciar lesões benignas de potenciais neoplasias.

Tratamentos disponíveis: opções médicas e cirúrgicas

O tratamento do HPV no homem visa principalmente eliminar as lesões visíveis, reduzir a carga viral e prevenir complicações futuras. É importante destacar que nenhuma intervenção garante a erradicação completa do vírus, mas todas contribuem para o controle da doença e para a redução da transmissão.

Terapia tópica

A terapia tópica consiste na aplicação de medicamentos sobre as lesões:

  • Podofilina e podofilotoxina: atuam como agentes citotóxicos, destruindo o tecido das verrugas. São eficazes em lesões pequenas e externas, mas exigem uso controlado devido ao risco de irritação local.
  • Imiquimode: é um imunomodulador que estimula a resposta imunológica local contra o HPV. Pode ser aplicado pelo próprio paciente, sob orientação médica, e apresenta bons resultados em verrugas externas.
  • Considerações clínicas: o tratamento tópico é menos invasivo, mas requer disciplina e acompanhamento para avaliar a resposta e evitar recidivas.

Procedimentos ablativos

Os procedimentos ablativos são indicados para lesões múltiplas, resistentes ou de difícil controle com medicamentos tópicos:

  • Crioterapia: utiliza nitrogênio líquido para congelar e destruir as lesões. É um método rápido, eficaz e geralmente bem tolerado.
  • Eletrocauterização: destrói o tecido infectado por meio de corrente elétrica. É útil em lesões maiores ou em áreas de difícil acesso.
  • Laser de CO₂: promove vaporização precisa das verrugas, com menor risco de dano aos tecidos adjacentes.
  • Vantagens: oferecem resultados imediatos e são especialmente indicados em casos de recidiva ou quando há necessidade de rápida resolução estética e funcional.

Cirurgia

A cirurgia é reservada para casos mais complexos:

  • Indicações: lesões extensas, refratárias a outros tratamentos ou suspeitas de malignidade.
  • Procedimentos: podem incluir excisão simples ou técnicas mais elaboradas, dependendo da localização e da gravidade da lesão.
  • Importância: além de remover a lesão, permite análise histopatológica, fundamental para descartar ou confirmar neoplasias relacionadas ao HPV.

Acompanhamento contínuo

O acompanhamento médico é indispensável, mesmo após a eliminação das lesões:

  • Risco de recidiva: o HPV pode permanecer latente no organismo e reaparecer meses ou anos depois.
  • Monitoramento clínico: consultas regulares permitem identificar novas lesões precocemente e avaliar a eficácia do tratamento.
  • Educação preventiva: o acompanhamento também é oportunidade para reforçar medidas de prevenção, como a vacinação e uso de preservativos.

Vacinação contra HPV: relevância também na vida adulta

A vacina contra o HPV é uma das principais conquistas da medicina preventiva. Embora seja indicada preferencialmente para adolescentes antes do início da vida sexual, homens adultos também se beneficiam.

Na prática, a imunização reduz significativamente a incidência de verrugas genitais e cânceres relacionados ao HPV. A vacinação, portanto, deve ser considerada mesmo após a exposição ao vírus, como medida de proteção adicional.

Outras medidas de prevenção

A prevenção do HPV exige uma abordagem multifatorial:

  • Uso de preservativos: embora não ofereçam proteção total, reduzem o risco de transmissão.
  • Consultas regulares: acompanhamento com urologista para avaliação clínica e detecção precoce de lesões.
  • Educação sexual: conscientização sobre a responsabilidade compartilhada na transmissão.

O HPV não é apenas uma questão individual, mas um problema de saúde pública. A prevenção protege não apenas o homem, mas também seus parceiros.

Sintomas urológicos que podem indicar outras doenças

Nem todo sintoma urológico está relacionado ao HPV. Alterações urinárias, dor pélvica ou sangramento podem indicar outras condições, como infecções urinárias, hiperplasia prostática ou até neoplasias. Para aprofundar esse tema, leia nosso conteúdo sobre sintomas urológicos que podem indicar outras doenças e mantenha sua saúde em dia.

Em resumo, os sintomas de HPV no homem são variados e muitas vezes silenciosos. A infecção pode evoluir para quadros graves, como câncer de pênis, ânus ou orofaringe. Como vimos, o diagnóstico clínico, o tratamento adequado e a vacinação são pilares fundamentais para o controle da doença.

Mais do que uma questão individual, o HPV é um problema de saúde pública que exige responsabilidade compartilhada.

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