Agosto Dourado da Urologia? Saúde Masculina em Foco
Agosto concentra importantes campanhas de conscientização sobre a saúde do homem — embora muita gente associe apenas novembro ao tema. Enquanto o “Agosto Dourado” tradicionalmente destaca o aleitamento materno, é também mês de reforçar a prevenção urológica masculina, aproveitando o clima de consciência sobre bem-estar que permeia as campanhas do período. No consultório, percebo que muitos pacientes só descobrem alterações importantes quando orientados pela esposa ou pela filha, que geralmente acompanham com mais regularidade os calendários de prevenção. Este artigo aborda o que agosto representa para a urologia, quais exames e sinais merecem atenção, e por que antecipar a conversa sobre saúde masculina faz diferença concreta.
Por que agosto é relevante para a saúde do homem
Agosto é um mês estratégico para campanhas de conscientização porque antecede o período de maior procura ambulatorial. Aproveitar agosto para organizar check-ups urológicos permite agendar exames com mais tranquilidade e, quando necessário, programar eventuais procedimentos ainda no segundo semestre, sem disputar vagas no final do ano.
A ideia não é concorrer com o Novembro Azul — que continua sendo a maior campanha da especialidade —, mas sim ampliar as oportunidades de diálogo ao longo do ano, reduzindo a concentração de demanda em um único mês.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforçam que o câncer de próstata é o segundo tumor mais comum em homens, com cerca de 65 mil novos casos por ano no Brasil. A detecção precoce, quando a doença ainda está restrita ao órgão, eleva a taxa de controle oncológico acima de 90%. Antecipar essa conversa, seja em agosto ou em qualquer outro mês, traduz-se em tempo ganho para o tratamento quando necessário.
Principais sinais que merecem avaliação urológica
Muitos sintomas urológicos são negligenciados porque progridem de forma lenta e insidiosa, confundindo-se com o “envelhecimento natural”. Saber diferenciar o que é aceitável daquilo que merece investigação é essencial.
- Jato urinário fraco ou entrecortado: associado frequentemente ao crescimento benigno da próstata (HPB), mas também pode sinalizar estreitamento uretral ou até mesmo obstrução por tumor.
- Urgência e noctúria: levantar mais de duas vezes à noite para urinar prejudica a qualidade do sono e aumenta risco de quedas. Na prática, é sinal de hiperatividade vesical ou obstrução infravesical.
- Sangue na urina (hematúria): mesmo que apareça uma única vez e depois desapareça, exige investigação completa. Pode ser desde cálculo ou infecção até tumores de bexiga, rim ou próstata.
- Dor ou desconforto perineal persistente: sensação de peso ou dor entre o escroto e o ânus pode sinalizar prostatite crônica ou tensão de assoalho pélvico.
- Nódulo ou aumento testicular: qualquer massa palpável, endurecimento ou crescimento assimétrico dos testículos deve ser avaliada com urgência. Tumores de testículo são mais frequentes em homens jovens (15-35 anos) e altamente curáveis quando diagnosticados cedo.
- Disfunção erétil progressiva: além do impacto na qualidade de vida, pode ser marcador precoce de doença cardiovascular. Avaliar a função sexual é parte importante da saúde integral do homem.
É importante destacar que levantar uma vez por noite ou apresentar jato levemente menos forte após os 60 anos pode fazer parte do processo de envelhecimento normal. O que define a necessidade de investigação é a progressão dos sintomas, o impacto na rotina e a presença de sinais de alerta como sangramento e dor.
Como é feito o diagnóstico em saúde masculina
A avaliação urológica começa pela história clínica detalhada e pelo exame físico, incluindo o toque retal. Embora ainda cause desconforto psicológico em muitos pacientes, o toque retal é rápido (dura menos de 10 segundos), fornece informação sobre volume, consistência e presença de nódulos prostáticos.
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é dosagem sanguínea que rastreia alterações prostáticas. Valores acima de 4 ng/mL tradicionalmente sugeriam maior risco, mas hoje a interpretação é mais refinada: considera-se a velocidade de aumento ao longo do tempo, a densidade do PSA (relação entre PSA e volume da próstata) e a fração livre. Elevações isoladas podem ocorrer em prostatites, após relação sexual, ciclismo intenso ou mesmo manipulação prostática.
Quando há suspeita de câncer de próstata, a ressonância magnética multiparamétrica (RMmp) da próstata tornou-se ferramenta essencial. Permite visualizar lesões suspeitas e guiar a biópsia de forma dirigida, aumentando a acurácia e reduzindo o risco de resultados falso-negativos. A biópsia por fusão de imagens (ultrassom + ressonância) é técnica que já se consolidou em centros de excelência.
Para sintomas urinários obstrutivos sem suspeita de malignidade, a ultrassonografia de vias urinárias e a urofluxometria (teste que mede o fluxo urinário) ajudam a quantificar o grau de obstrução e o resíduo pós-miccional — isto é, quanto de urina permanece na bexiga após tentar esvaziá-la completamente.
Em casos de hematúria ou de nódulos renais encontrados incidentalmente em exames de imagem, a tomografia computadorizada de abdome com contraste ou a urotomografia permitem caracterizar lesões sólidas e diferenciar cistos benignos de tumores.
Opções de tratamento na urologia moderna
As modalidades terapêuticas variam conforme o diagnóstico, o estadiamento da doença e as características individuais de cada paciente. A medicina urológica avançou significativamente nas últimas duas décadas, incorporando tecnologias minimamente invasivas que reduzem tempo de internação e complicações.
Hiperplasia prostática benigna (HPB): o tratamento inicial costuma ser medicamentoso, com alfabloqueadores (relaxam a musculatura prostática) e/ou inibidores da 5-alfa-redutase (reduzem o volume da glândula). Quando a resposta farmacológica é insuficiente ou surgem complicações como retenção urinária, infecções de repetição ou cálculos vesicais, a cirurgia torna-se necessária. Na minha prática como proctor de HoLEP (enucleação endoscópica da próstata com laser de holmium), observo que pacientes se beneficiam de resultados duradouros com recuperação rápida — a maioria recebe alta em 24 horas. O HoLEP é considerado padrão-ouro pela Associação Europeia de Urologia para próstatas volumosas, sem limite de tamanho.
Câncer de próstata localizado: o arsenal terapêutico inclui vigilância ativa (para tumores de baixo risco), cirurgia robótica (prostatectomia radical), radioterapia (externa ou braquiterapia) e, em casos selecionados, terapias focais. A cirurgia robótica permite remoção completa da próstata com preservação de estruturas neurovasculares responsáveis pela continência urinária e função erétil, dentro das possibilidades anatômicas. A escolha entre as modalidades leva em conta agressividade do tumor (Gleason), PSA, idade, comorbidades e preferências do paciente.
Tumores renais: massas pequenas (< 4 cm) podem ser tratadas por nefrectomia parcial robótica, preservando o restante do rim funcionante. Lesões maiores ou centrais podem exigir nefrectomia radical. Ablação por radiofrequência ou crioablação são alternativas em pacientes de alto risco cirúrgico.
Câncer de bexiga: tumores superficiais são ressecados endoscopicamente (RTU de bexiga), frequentemente seguidos de instilação intravesical de BCG ou quimioterápico. Tumores músculo-invasivos geralmente demandam cistectomia radical (remoção da bexiga) com derivação urinária, que pode ser realizada por via robótica em centros de referência.
É fundamental que o tratamento seja individualizado. Não existe receita única; discutir riscos, benefícios e expectativas reais de cada abordagem é parte essencial da consulta.
Quando procurar um uro-oncologista
A linha entre urologia geral e uro-oncologia é sutil, mas importante. Enquanto o urologista geral trata todo o espectro de doenças do trato urinário e reprodutor masculino, o uro-oncologista tem formação específica em tumores urológicos e volume cirúrgico oncológico de alto nível.
Recomenda-se procurar avaliação uro-oncológica quando:
- Há diagnóstico confirmado ou forte suspeita de câncer (próstata, rim, bexiga, testículo, pênis)
- O caso exige técnicas cirúrgicas avançadas (cirurgia robótica, linfadenectomia estendida, nefrectomia parcial complexa)
- Há necessidade de segunda opinião sobre estadiamento, prognóstico ou plano terapêutico
- Sintomas urológicos surgem em contexto de histórico oncológico prévio ou familiar de risco
Homens acima de 50 anos, ou acima de 45 anos com histórico familiar de câncer de próstata, devem iniciar rastreamento urológico periódico. Para mais informações sobre a abordagem integral da saúde do homem, a avaliação presencial permite um plano individualizado, levando em conta exames prévios, sintomas atuais e fatores de risco pessoais.
Perguntas frequentes
O PSA elevado sempre significa câncer de próstata?
Não. Valores aumentados de PSA podem ocorrer em prostatite (inflamação), hiperplasia benigna, após relações sexuais, exercícios intensos (ciclismo, equitação) ou manipulação prostática. A interpretação do PSA precisa considerar idade, velocidade de aumento, relação PSA livre/total e achados da ressonância magnética. Um PSA de 5 ng/mL em um homem de 45 anos é mais preocupante do que o mesmo valor em alguém de 75 anos com próstata volumosa.
Qual a diferença entre HoLEP, RTU de próstata e cirurgia robótica da próstata?
HoLEP e RTU tratam hiperplasia benigna (crescimento não-canceroso). O HoLEP remove a porção central da próstata usando laser de holmium, é definitivo e funciona mesmo em próstatas muito grandes. A RTU (ressecção transuretral) também é endoscópica, mas menos eficaz em próstatas volumosas. Já a prostatectomia robótica trata câncer: retira toda a glândula, preservando estruturas adjacentes sempre que possível. São indicações completamente diferentes.
A partir de que idade devo fazer check-up urológico?
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda iniciar aos 50 anos para homens sem fatores de risco, e aos 45 anos para quem tem histórico familiar de câncer de próstata ou é afrodescendente (grupos com maior incidência). Homens com sintomas urinários ou alterações ao exame físico devem procurar avaliação independentemente da idade.
Cirurgia robótica é sempre melhor que a cirurgia aberta?
Não necessariamente “melhor”, mas oferece vantagens em casos selecionados: incisões menores, menor sangramento, recuperação mais rápida e magnificação da imagem em 10 vezes, o que auxilia na precisão. O resultado oncológico (controle do tumor) depende fundamentalmente da habilidade e experiência do cirurgião, não apenas da plataforma tecnológica. Em alguns cenários — tumores localmente avançados, ressecções complexas —, a abordagem aberta ou laparoscópica convencional pode ser mais adequada.
Posso ter vida sexual normal após cirurgia de próstata?
Depende do tipo de cirurgia. Após HoLEP para HPB, a função erétil é preservada, mas pode ocorrer ejaculação retrógrada (sêmen vai para a bexiga, não afeta ereção). Após prostatectomia radical para câncer, a preservação da função erétil depende se foi possível poupar os feixes neurovasculares, da idade do paciente, da função prévia e do estadiamento do tumor. Técnicas de reabilitação peniana e medicamentos podem ajudar na recuperação, mas é importante ter expectativas realistas discutidas antes da cirurgia.
Agosto tem alguma campanha oficial de urologia como o Novembro Azul?
Oficialmente, o Novembro Azul concentra a maior mobilização institucional da Sociedade Brasileira de Urologia. Contudo, algumas sociedades regionais e instituições de saúde aproveitam agosto para ações pontuais de conscientização sobre saúde masculina integral, incluindo prevenção de câncer de próstata, disfunção erétil e cuidados urológicos gerais. A mensagem central é que prevenção não deve esperar um único mês no calendário — buscar orientação urológica ao longo do ano melhora desfechos e reduz filas de novembro.
Conclusão
Agosto não precisa rivalizar com campanhas já consolidadas, mas pode ser o mês em que você organiza os exames pendentes, agenda aquela consulta adiada ou acompanha um familiar que resiste a procurar orientação médica. A saúde masculina urológica ganha quando a conversa deixa de ser episódica e passa a integrar a rotina de autocuidado.
Se você apresenta sintomas urinários, PSA alterado, histórico familiar de câncer urológico ou simplesmente está em idade de iniciar rastreamento, agende uma avaliação pelo WhatsApp +55 11 91722-0682 ou pela página /fale-com-seu-medico/. O atendimento é particular, na Clínica MomentumVita, Rua Vergueiro 360, conjunto 407, Liberdade, São Paulo.
Sobre o autor
Dr. Thiago Camelo Mourão · Uro-Oncologista e Cirurgião Robótico · CRM-SP 152.747 · RQE 65.767
O Dr. Thiago Mourão é urologista com atuação dedicada à uro-oncologia, à cirurgia robótica e ao tratamento da próstata aumentada (HoLEP). Tem PhD em Oncologia pelo A.C. Camargo Cancer Center e atua como proctor de cirurgia robótica e de HoLEP, formando outros cirurgiões nessas técnicas. Sua prática é orientada por evidência e por volume cirúrgico real, com foco em decisões individualizadas e na preservação funcional de cada paciente. Atendimento exclusivamente particular na Clínica MomentumVita, em São Paulo.
Agende uma avaliação pelo WhatsApp (11) 91722-0682 ou pela página /fale-com-seu-medico/.







