HIFU no câncer de próstata: guia completo para pacientes em São Paulo

Uma opção de tratamento minimamente invasiva, aprovada pelo Conselho Federal de Medicina, para casos selecionados de câncer de próstata localizado — sem cortes, com preservação da continência e da função sexual.

HIFU

O que é HIFU ?

O HIFU — sigla em inglês para High-Intensity Focused Ultrasound, ou ultrassom focalizado de alta intensidade — é uma tecnologia que concentra ondas sonoras num ponto milimétrico dentro da próstata e eleva sua temperatura a mais de 85 °C, destruindo o tecido tumoral por efeito térmico e sem qualquer corte na pele.

Diferentemente da prostatectomia radical, que remove a próstata inteira, o HIFU é hoje utilizado principalmente como terapia focal: trata apenas a região onde o tumor foi identificado por ressonância multiparamétrica e confirmado por biópsia, preservando a maior parte da glândula, a uretra e as estruturas responsáveis pela continência urinária e pela ereção.

No Brasil, o HIFU está aprovado para o tratamento do câncer de próstata pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e é praticado há mais de uma década em centros de referência internacionais.

Como o HIFU trata o câncer de próstata

Sob anestesia geral ou raquianestesia, uma sonda especial é posicionada pelo reto. Essa sonda faz duas coisas ao mesmo tempo: capta imagens de ultrassom da próstata em tempo real e emite os pulsos focalizados que aquecem o tecido-alvo. O sistema mapeia a próstata, o cirurgião delimita a região a ser tratada com base na ressonância e na biópsia por fusão, e o equipamento executa a ablação ponto a ponto.

Todo o procedimento é feito sem incisão na pele. O paciente sai com uma sonda vesical, que geralmente é retirada em poucos dias.

Para pacientes que combinam HIFU com cirurgia em algum momento do tratamento, também discutimos alternativas como a cirurgia robótica de próstata.

Quem é candidato ao HIFU (e quem não é)

A seleção do paciente é o passo mais importante de todo o processo — mais até que a técnica ou o equipamento. O HIFU tem melhores resultados quando indicado no perfil certo. Nos casos avançados, o caminho é outro: pode ser cirurgia radical, radioterapia ou, em cenário metastático, opções sistêmicas.

✅ Candidato ideal

  • Câncer de próstata localizado (T1c–T2, sem disseminação)
  • Risco baixo ou intermediário-favorável (ISUP 1–2 na maioria dos casos)
  • Tumor bem identificado por ressonância multiparamétrica
  • Biópsia com localização definida, idealmente por fusão
  • Próstata com volume compatível
  • Paciente que valoriza preservação da continência e da função sexual e aceita seguimento ativo

❌ Quando NÃO é a melhor opção

    • Câncer de alto risco ou com disseminação
    • Doença muito difusa, envolvendo amplamente os dois lobos
    • Tumor muito próximo à uretra ou ao esfíncter
    • Volume prostático muito grande (relativo ao equipamento)
    • Calcificações extensas que bloqueiam o feixe de ultrassom
    • Paciente que prefere tratamento definitivo único, sem seguimento oncológico próximo

    HIFU × prostatectomia radical, radioterapia e vigilância ativa

    Cada uma das quatro condutas abaixo tem indicações próprias. Este comparativo ajuda a entender o lugar do HIFU no cenário de tratamento do câncer de próstata localizado.

    CritérioVigilância ativaHIFU (focal)Prostatectomia radicalRadioterapia externa
    Cortes / hospitalizaçãoNenhumNenhum; alta em 24 hCirurgia + 1–3 dias de internaçãoSem cortes; sessões ambulatoriais
    Preserva ereçãoSimAlta preservaçãoDepende da técnica e características do paciente e da doençaDepende da dose e idade
    Preserva continênciaSimAlta preservaçãoRisco de incontinência de esforçoAlta preservação, mas com risco de urge-incontinência
    Trata a doença?Não trata; monitoraTrata a região do tumorTrata a próstata inteiraTrata a próstata inteira
    Seguimento rigoroso?SimSim (PSA + RM + rebiópsia)Sim (PSA)Sim (PSA)
    Pode ser repetido?Sim, se houver recidiva focalNãoLimitado
    Indicado para alto risco?NãoNãoSimSim

    Equipamentos disponíveis no Brasil

    Três plataformas de HIFU são utilizadas hoje em centros brasileiros:

    • Focal One — sistema francês (EDAP) considerado padrão-ouro para terapia focal, com integração à ressonância multiparamétrica e planejamento tridimensional.
    • Sonablate — plataforma norte-americana com foco em terapia focal e tratamento de resgate (salvage) após radioterapia.
    • Ablatherm — sistema mais tradicional, geralmente usado para tratamento hemi-glandular ou de próstata inteira.

    A escolha do equipamento depende do caso clínico, do centro onde o procedimento será feito e da estratégia (focal ou hemi-ablação).

    Como é a sessão, passo a passo

    1. Pré-operatório — avaliação clínica, ressonância multiparamétrica atualizada, biópsia por fusão, exames laboratoriais e cardiológicos de rotina.
    2. Dia do procedimento — jejum conforme orientação da anestesia; admissão hospitalar pela manhã.
    3. Anestesia — geral, na maioria das vezes.
    4. HIFU — duração média de 1 a 3 horas, dependendo da extensão a ser tratada.
    5. Recuperação imediata — 4 a 8 horas em observação; sem dor significativa na maioria dos casos.
    6. Alta hospitalar — no mesmo dia ou no dia seguinte, com sonda vesical.
    7. Retirada da sonda — geralmente cerca de 7 dias após o procedimento.
    8. Retorno às atividades — atividades leves em 3–5 dias; plenas em 2–3 semanas.

    Recuperação e efeitos esperados

    Efeitos mais comuns nas primeiras semanas

    • Ardor urinário leve e urgência para urinar (normalmente autolimitados)
    • Pequenos fragmentos de tecido na urina (esperado)
    • Ereção reduzida nas primeiras semanas, com recuperação progressiva
    • Dor perineal leve

    Efeitos menos frequentes que exigem atenção médica

    • Infecção urinária
    • Retenção urinária transitória
    • Estenose (estreitamento) uretral em uma fração pequena dos casos
    • Fístula reto-uretral (muito rara com equipamentos e técnica atuais)

    O acompanhamento ativo com o urologista nas primeiras semanas é o que garante identificar e tratar qualquer complicação cedo.

    Resultados oncológicos e acompanhamento

    Séries publicadas mostram controle oncológico local em torno de 80–90% em 5 anos em pacientes de risco baixo e intermediário-favorável bem selecionados. A vantagem em qualidade de vida é significativa: taxas de incontinência definitiva abaixo de 3% e preservação da função erétil em mais de 70% dos casos na maioria das séries.

    O acompanhamento envolve:

    • Dosagens de PSA a cada 3 meses no primeiro ano, depois a cada 6 meses;
    • Ressonância multiparamétrica de controle entre 6 e 12 meses após o procedimento;
    • Biópsia de controle;
    • Discussão contínua entre urologista, paciente e — quando indicado — radioterapeuta e oncologista.

    Se houver recidiva local, existem opções de re-tratamento (nova sessão de HIFU, cirurgia ou radioterapia de resgate). O HIFU não fecha portas.

    Onde é feito o HIFU em São Paulo

    O HIFU é praticado em São Paulo em hospitais de alta complexidade com serviço de urologia oncológica estruturado. O Dr. Thiago Mourão atende na capital com base na Clínica MomentumVita (Rua Vergueiro, 360 — Liberdade) e realiza o HIFU em hospitais parceiros avaliando::

    • Disponibilidade do equipamento mais adequado ao seu caso
    • A estratégia clínica (focal ou hemi-ablação)
    • A cobertura do seu convênio ou o plano no particular
    • O tempo até o procedimento, quando há urgência clínica

    Na consulta, discutimos qual hospital e qual equipamento fazem mais sentido para o seu caso — e como planejar a agenda considerando disponibilidade e cobertura.

    Custo particular e cobertura por convênios

    No particular

    O HIFU não está no Rol da ANS como cobertura obrigatória automática. Depois da Lei 14.454/2022 e do julgamento da ADI 7.265 pelo STF (setembro de 2025), a cobertura pode ser pleiteada quando há prescrição médica fundamentada, evidência científica, registro na Anvisa e inexistência de alternativa terapêutica equivalente no rol.Alguns casos são autorizados após recurso administrativo com relatório médico detalhado.

    Dúvidas

    Perguntas frequentes sobre HIFU

    HIFU (High-Intensity Focused Ultrasound) usa ondas de ultrassom focalizado para destruir por calor o tecido tumoral da próstata, sem cortes, preservando a maior parte da glândula e as estruturas responsáveis pela continência e pela ereção.

    Homens com câncer de próstata localizado, de risco baixo ou intermediário-favorável, com tumor bem identificado por ressonância multiparamétrica e biópsia. Doença de alto risco, muito difusa ou próxima da uretra geralmente não é adequada.

    Sim. O Conselho Federal de Medicina reconhece o HIFU como opção terapêutica para câncer de próstata em indicações específicas.

    A sessão dura em média 1 a 3 horas. A maioria dos pacientes tem alta em 24 horas com sonda vesical, retirada em poucos dias. As atividades leves voltam em 3–5 dias e as plenas em 2–3 semanas.

    Os mais comuns são ardor urinário e urgência transitórios, ereção reduzida nas primeiras semanas, infecção urinária e retenção urinária. Complicações mais raras incluem estenose uretral e fístula reto-uretral, muito incomuns com equipamentos modernos e indicação adequada.

    Se houver recidiva local, existem alternativas de resgate: nova sessão de HIFU, prostatectomia radical ou radioterapia. O HIFU não fecha portas.

    Este conteúdo foi produzido e revisado por:

    Dr. Thiago Camelo Mourão
    Urologista com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)
    Especialização em Uro-oncologia e Cirurgia Robótica
    CRM-SP 152.747 | RQE 65.767

    Atendimento: Clínica MomentumVita — Rua Vergueiro, 360, cj. 407 — Liberdade, São Paulo/SP

    Última atualização desta página: 25/08/2026

    Se você recebeu indicação de HIFU ou está avaliando alternativas para o seu tratamento de câncer de próstata, agende uma consulta para revisarmos o caso em detalhe — imagens, biópsia, PSA e opções — e definirmos juntos a melhor estratégia.