Gleason e ISUP em São Paulo | Dr. Thiago Mourão

Gleason e ISUP: Entenda a Classificação do Câncer de Próstata

Após receber o resultado de uma biópsia de próstata, uma das primeiras perguntas que surgem é: “o que significam esses números?” O escore de Gleason e a graduação ISUP são sistemas de classificação que determinam a agressividade do tumor prostático. Estes números orientam diretamente as opções de tratamento, desde a vigilância ativa até a cirurgia robótica. Em minha prática, costumo explicar que compreender essa classificação ajuda pacientes e famílias a participarem ativamente das decisões terapêuticas, transformando ansiedade em conhecimento direcionado.

O que é a classificação de Gleason

O sistema de Gleason, desenvolvido pelo patologista Donald Gleason na década de 1960, avalia a arquitetura das células cancerosas da próstata sob microscopia. O patologista identifica os dois padrões celulares mais prevalentes no tecido biopsiado e atribui uma nota de 1 a 5 para cada padrão, sendo 1 o mais organizado (menos agressivo) e 5 o mais desorganizado (mais agressivo).

O escore final resulta da soma dos dois padrões principais. Por exemplo, Gleason 3+4=7 indica que o padrão predominante é 3, seguido pelo padrão 4. Interessantemente, Gleason 4+3=7 representa maior agressividade que 3+4=7, mesmo tendo a mesma soma, porque o padrão 4 (mais agressivo) é predominante.

Atualmente, escores menores que 6 não devem ser utilizados, pois padrões 1 e 2 são considerados benignos ou de significado clínico questionável. A graduação prática varia de Gleason 6 (3+3) até Gleason 10 (5+5).

Sistema ISUP: modernização da classificação

A Sociedade Internacional de Patologia Urológica (ISUP) propôs em 2014 uma graduação simplificada, que complementa o Gleason tradicional. O sistema ISUP utiliza graus de 1 a 5, correlacionando-se diretamente com os escores de Gleason mais comuns:

  • ISUP Grau 1: Gleason 6 (3+3)
  • ISUP Grau 2: Gleason 7 (3+4)
  • ISUP Grau 3: Gleason 7 (4+3)
  • ISUP Grau 4: Gleason 8 (4+4, 3+5, 5+3)
  • ISUP Grau 5: Gleason 9-10 (4+5, 5+4, 5+5)

Esta graduação facilita a comunicação entre médicos e pacientes, evitando confusões sobre diferentes combinações que resultam no mesmo escore de Gleason.

Como é feito o diagnóstico e a graduação

A classificação Gleason é determinada através da biópsia de próstata, geralmente realizada por via transretal ou transperineal. O procedimento coleta múltiplas amostras de diferentes regiões da glândula, guiado por ultrassom ou ressonância magnética multiparamétrica.

O patologista examina cada fragmento, identificando áreas cancerosas e avaliando sua organização celular. A ressonância multiparamétrica prévia auxilia na localização de lesões suspeitas, permitindo biópsias dirigidas que aumentam a acurácia diagnóstica.

É importante compreender que o grau pode variar entre diferentes fragmentos da mesma biópsia, e o resultado final considera a amostra mais representativa do tumor. Ocasionalmente, a graduação pode ser subestimada na biópsia em relação ao tumor completo, razão pela qual a peça cirúrgica (quando há cirurgia) fornece a graduação definitiva.

Significado prognóstico e opções de tratamento

Cada grau ISUP orienta estratégias terapêuticas específicas. Tumores ISUP grau 1 (Gleason 6) frequentemente se qualificam para vigilância ativa, especialmente quando PSA é baixo e o número de fragmentos positivos é limitado. Trata-se de tumores com baixíssimo potencial metastático.

ISUP graus 2 e 3 representam risco intermediário, onde opções incluem cirurgia robótica, radioterapia ou vigilância ativa selecionada. A diferença entre grau 2 (3+4) e grau 3 (4+3) influencia significativamente a recomendação, pois o predomínio do padrão 4 sugere maior agressividade.

Graus ISUP 4 e 5 caracterizam alto risco, demandando tratamento ativo. A cirurgia robótica oferece vantagens em precisão e recuperação, enquanto a radioterapia combinada com hormonioterapia constitui alternativa eficaz. A linfadenectomia durante a cirurgia é frequentemente indicada nestes casos para estadiamento completo.

O sistema de graduação também orienta o seguimento pós-tratamento e a necessidade de terapias adjuvantes.

Quando procurar um uro-oncologista

A interpretação adequada da classificação Gleason e ISUP requer expertise em uro-oncologia, especialmente quando há discrepâncias entre achados clínicos e patológicos. Situações como graduação heterogênea na biópsia, presença de padrão 5 focal, ou dúvidas sobre a estratégia terapêutica mais apropriada beneficiam-se de avaliação especializada.

Pacientes com diagnóstico recente de câncer de próstata devem buscar consulta uro-oncológica para discussão detalhada sobre prognóstico, opções terapêuticas e personalização do tratamento. A segunda opinião é particularmente valiosa em casos limítrofe entre vigilância ativa e tratamento definitivo.

Para compreender melhor os aspectos gerais do câncer de próstata, sintomas e abordagem diagnóstica, a avaliação individualizada permanece fundamental.

Perguntas frequentes

Gleason 6 é realmente câncer?

Tecnicamente sim, mas com comportamento muito indolente. Gleason 6 raramente progride ou causa metástases, razão pela qual muitos especialistas defendem vigilância ativa como primeira opção.

Existe diferença prática entre Gleason 3+4 e 4+3?

Sim. Embora ambos somem 7, o Gleason 4+3 (ISUP grau 3) é mais agressivo que 3+4 (ISUP grau 2) porque o padrão predominante é mais desorganizado.

A graduação pode mudar após a cirurgia?

Pode. A biópsia examina apenas amostras pequenas, enquanto a cirurgia permite análise completa do tumor. Cerca de 30% dos casos apresentam upgrading (graduação maior) na peça cirúrgica.

Gleason alto significa metástase certa?

Não. Gleason elevado indica maior potencial agressivo, mas muitos pacientes com graus altos são curados com tratamento adequado, especialmente quando diagnosticados precocemente.

Posso ter vigilância ativa com Gleason 7?

Depende. Gleason 3+4 com baixo volume tumoral e PSA estável pode qualificar para vigilância ativa em casos selecionados, mas requer monitorização rigorosa.

O grau Gleason influencia a técnica cirúrgica?

Sim. Graus mais altos podem requerer margens mais amplas, linfadenectomia estendida e planejamento cirúrgico mais meticuloso para preservar continência e potência.

Conclusão

A classificação Gleason e ISUP fornece informações cruciais para personalizar o tratamento do câncer de próstata. Compreender esses sistemas permite decisões mais conscientes sobre vigilância ativa, cirurgia robótica ou radioterapia. A graduação não é uma sentença, mas uma ferramenta que orienta a estratégia terapêutica mais adequada para cada situação individual.

Se você recebeu um diagnóstico com graduação Gleason ou tem dúvidas sobre a interpretação dos resultados, agende uma consulta pelo WhatsApp (11) 91722-0682. O atendimento é particular na Clínica MomentumVita, onde podemos discutir detalhadamente seu caso e as opções terapêuticas mais apropriadas.

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